
Certamente, você tem um companheiro de trabalho que dorme sonhando com maratonas. Ou tem um amigo que, de uns tempos para cá, tornou-se um triatleta “obstinado”. Poucas horas de sono, corpo dolorido ao acordar, massagens, compressas de gelo e visitas constantes aos ortopedistas fazem parte desse novo modelo de atleta, cada vez mais presente em nossa sociedade.
Para entender melhor essa “febre da boa forma”, vamos recorrer a um dado do Comitê Olímpico Internacional. Estima-se que um atleta de alto nível – indivíduo forjado para ter um desempenho superior a todos nós – pode ser encontrado entre cada quarenta mil praticantes de uma determinada modalidade. Isso mesmo: apenas um em quarenta mil seres humanos tem uma espécie de “dom” que lhe faz diferente de todos nós. Ainda que não conheçamos todas as características que expliquem essa quase “sobre-humana superioridade”, acreditamos que grande parte delas esteja diretamente vinculada à predisposição genética individual. Em outras palavras: um atleta “nasce atleta”.
Portanto, se em algum momento de sua vida, você resolver “virar” um atleta, tome muito cuidado: você pode estar cometendo um grave erro! Provas como maratonas, triátlons de longa distância e até mesmo corridas de aventura, podem levar-lhe a um caminho perigoso e traumático! Explicando: ao treinar para uma prova de longa duração, com uma grande probabilidade, você vai completar a prova! O que define a sua condição física e o seu rendimento, não é a distância percorrida, mas sim, o tempo em que você percorre essa distância! Na maioria das vezes, um atleta de alto rendimento consegue perfazer as mesmas distâncias em tempos próximos às metades dos tempos médios dos outros sujeitos. Não que isso seja um grande problema! Afinal, você não está atrás da vitória! O problema é que, as mesmas características que fazem um esportista de elite ser mais “rápido”, também são capazes de lhe tornar mais protegido contra as agressões repetitivas do meio externo – situações constantes nos esportes de competição. De uma maneira geral, esportistas de alto rendimento são estruturalmente “blindados”, apresentando diversas características que lhes permitem aceitar e distribuir melhor as cargas de treinamento.
O resultado de tudo isso? Clínicas de fisioterapia repletas de “atletas entusiastas”, que confundiram completamente os conceitos de saúde e excesso. Muitas vezes, a fisioterapia não dá conta e a conduta cirúrgica é a única e exclusiva alternativa. Do ponto de vista profissional, é injustificável um plano de treinamento terminar em uma cirurgia ortopédica. Afinal, a menos que os valores tenham se invertido, a atividade física é um dos mais firmes pilares ligados à qualidade de vida!
Por tudo isso, não se apegue aos modismos ou conceitos infundados! Pratique sempre atividade física! Cuide de sua alimentação; cuide de sua mente e cuide do seu corpo! Ele sofre demais com os excessos que cometemos! Assim como no “Livro do Caminho Perfeito”, em matéria de atividade física, a virtude está no meio.
Forte Abraço a todos,
Irineu Loturco Filho

Irineu Loturco Filho é Diretor Técnico do Núcleo de Alto Rendimento Esportivo do Grupo Pão de Açúcar e Diretor Técnico da S2 Esportes.
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