
Meses, semanas e dias. O tempo vai passando e a competição se aproximando. Você fez a melhor preparação possível, porém, uma dúvida ainda persiste: o que fazer às vésperas da nossa maratona de revezamento?
Pois muito bem, a fase próxima a toda e qualquer competição requer uma série de cuidados por parte do corredor. No campo da preparação física e técnica, o período relativo às quatro semanas anteriores ao dia da prova é denominado “Período Competitivo”. Como não poderia deixar de ser, a extrema influência desse período no resultado da competição faz com que os estudiosos da área esportiva concentrem seus esforços para tentar descobrir “qual o melhor caminho a seguir”. Ainda que no campo científico não se produzam verdades supremas, uma questão parece estar muito bem estabelecida quando o assunto é a preparação final do corredor: quanto mais a prova se aproxima, mais importante se torna a redução do volume total no treinamento do corredor.
Não entendeu? Deixando mais claro: o volume total de treinamento de corrida representa o número de horas ou a distância que você percorre por semana. Por exemplo, se um sujeito faz quatro treinos por semana com 10 quilômetros em cada sessão, seu volume total semanal é de 40 quilômetros. De acordo com os estudos atuais, nas semanas que antecedem a prova, o corredor deve iniciar uma redução progressiva nas horas de treinamento, a fim de aumentar as suas reservas orgânicas de competição e, além disso, diminuir a sua exposição aos possíveis problemas gerados pelo excesso de treinamento. Essa técnica de “polimento esportivo” vem sendo chamada na literatura especializada de tapering.
Desde que se comprovou a eficiência do tapering no desempenho esportivo, muitos estudos tem sido publicados com a intenção de definir a melhor medida para a redução do volume de treinamento. Ainda que não tenhamos um número ideal para essa redução, o certo é que atletas que perfazem maiores distâncias por semana necessitam de cortes mais consideráveis no volume total de treinamento. Porém, mesmo os corredores que percorrem distâncias menores podem se beneficiar através da realização de um período de polimento.
Por todos esses conceitos e pressupostos, a montagem de uma boa estratégia de tapering requer a consultoria de um profissional especializado, profundo conhecedor da ciência da corrida e da sua rotina pessoal de treinamento. Para você leitor, fica a mensagem que, durante a preparação para uma corrida, treinar demasiadamente às vésperas de uma competição não significa correr contra o tempo! Nos períodos próximos às competições, sem nenhuma dúvida, descanso é treino!
Forte Abraço a todos,
Irineu Loturco Filho

Irineu Loturco Filho é Diretor Técnico do Núcleo de Alto Rendimento Esportivo do Grupo Pão de Açúcar e Diretor Técnico da S2 Esportes.
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