
Músculos fortes, barrigas “saradas” e coxas desproporcionais. Hoje em dia, não é incomum nos depararmos com mulheres cada vez mais fortes e musculosas. Preferências a parte, esse novo “shape” feminino cria muitos mitos que prejudicam demasiadamente a ciência do treinamento esportivo. Afinal, silhuetas femininas com músculos em excesso, parecem transgredir as regras dos padrões estéticos atuais. Mas quais os verdadeiros paradigmas por trás do treinamento de força para mulheres? Será que, realmente, a prática sistemática da chamada “musculação” é capaz de transformar completamente, de forma tão rápida, o corpo de uma mulher? O que a ciência diz a esse respeito?
Para começar, vamos falar da hipertrofia muscular. De uma maneira simples, o termo hipertrofia pode ser definido como o “aumento da secção transversa do músculo esquelético” ou, simplesmente, o aumento do tamanho do músculo. Além de um treinamento intenso e sistemático, um pressuposto básico para que essa adaptação ocorra é um excedente calórico alimentar. Ou seja: para que a sua massa muscular aumente, você deve consumir mais calorias do que gasta. E se, realmente, você faz isso, deve ficar feliz em ganhar massa muscular! Afinal, qualquer excedente calórico transformado em músculo através de um treinamento sistemático, seria transforma em gordura corporal sem esses estímulos. Dessa forma, independentemente do tipo de treinamento que você faça, sua dieta será diretamente responsável pela manutenção do seu peso corporal.
Outro ponto importante: uma das características fundamentais que controlam a diferença dos percentuais de massa muscular em homens e mulheres é a concentração orgânica da testosterona em ambos os sexos. Naturalmente, por terem uma maior produção de testosterona, os homens têm uma maior facilidade em “ganhar” massa muscular e, fundamentalmente, são mais fortes do que as mulheres. Essa é uma característica genética e importante nas diferenças dos gêneros masculino e feminino. Por outro lado, não podemos deixar de salientar que, com o passar dos anos, a queda na produção de testosterona, ocorre invariavelmente, em todos os seres humanos. Obviamente, devido às diferenças orgânicas, as mulheres costumam sofrer mais com essas mudanças.
Juntamente à perda da massa muscular que ocorre no envelhecimento (sarcopenia), outras doenças crônicas podem aparecer devido à fragilização dos tecidos nas idades mais avançadas. Osteoporose, artrite reumatóide, fraturas repetidas e uma gama enorme de doenças degenerativas costumam afetar a qualidade de vida da mulher na terceira idade. O fato: mulheres idosas têm uma maior propensão a sofrer das doenças do tecido ósseo. Isso é estatisticamente comprovado! A boa notícia é que o treinamento de força pode ser um grande auxiliar na prevenção e na redução da incidência dessas doenças. Simplesmente por que a compressão oferecida durante as sessões de treinamento pode ser responsável por uma maior eficiência na captação de cálcio pelo tecido ósseo. E também, porque os estímulos mecânicos oferecidos durante a contração muscular contribuem significativamente para a manutenção da massa muscular, desacelerando o processo da sarcopenia.
Por tudo isso, não vale a pena você evitar as sessões de musculação, não concorda? Afinal, ao contrário do que se pensa, não é tão fácil assim se tornar uma “super - mulher”! Além do mais, a função primordial de qualquer atividade física é contribuir para a qualidade de vida do praticante! Em qualquer fase de sua vida! Muito mais do que lhe tornar musculosa ou até mesmo “masculinizada”, treinar musculação com consciência é se preparar com responsabilidade para o envelhecimento. Não deixe que o preconceito lhe afaste de uma rotina que pode ser muito importante em sua vida! Até porque, nos dias de hoje, ninguém mais duvida da força da mulher!
Forte Abraço a todos,
Irineu Loturco Filho

Irineu Loturco Filho é Diretor Técnico do Núcleo de Alto Rendimento Esportivo do Grupo Pão de Açúcar e Diretor Técnico da S2 Esportes.
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