
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a expressão “qualidade de vida” pode ser definida como o completo bem-estar físico, médico e social. Os especialistas não têm dúvida em afirmar: uma saúde perfeita não depende apenas de um corpo forte e saudável, mas também, de uma mente vigorosa, equilibrada e, sobretudo, tranqüila. Apenas com o respeito total a essas três variáveis, podemos atingir todos os benefícios de uma vida longa e repleta de saúde.
Mente e corpo alinhados, trabalhando por um indivíduo em busca do equilíbrio. Essa parece ser a chave da longevidade. Mas como agregar estruturas tão diferentes e aparentemente, tão distantes? Obviamente, sabemos muito pouco do funcionamento de nossa mente: nem ao menos conseguimos defini - lá! Porém, temos a plena certeza que atividades prazerosas nos enchem de energia para enfrentarmos os nossos problemas e tarefas diárias. Mas o que tudo isso tem haver com atividade física? Ou até mesmo: o que isso tem haver com qualidade de vida?
Conforme amplamente divulgado na imprensa especializada e até mesmo nos mais diferentes veículos de comunicação, a atividade física bem orientada é essencial para a manutenção de uma vida saudável. Além de elevar a nossa auto-estima, o exercício físico sistemático tem a capacidade de nos manter protegidos contra uma série de doenças crônicas e degenerativas. Porém, a mesma imprensa que divulga informações tão relevantes e úteis, tem o irresponsável costume de rotular atividades físicas e esportivas, definindo modelos de condutas e atribuindo conceitos de eficiência. No dia a dia, em nossa constante busca de informação, não é difícil encontrarmos manchetes que comparam os diferentes tipos de atividade física, vinculando um maior resultado atingido a uma superioridade implícita da modalidade.
A começar que o “resultado do treinamento” é fortemente determinado pelas características individuais de cada sujeito, não podemos jamais taxar alguma atividade física como superior. Até mesmo porque, sem diferir de nossa vida, no mundo do treinamento esportivo continua valendo a máxima onde “para cada escolha existe uma renúncia”. Em outras palavras: ao optar por uma atividade mais intensa, você, certamente, gasta mais energia por unidade de tempo. Por outro lado, expõe seu organismo a uma maior magnitude de forças externas e, dependendo do indivíduo, isso nem sempre é benéfico. Da mesma forma, um treinamento com pouca intensidade pode surtir efeito apenas em longo prazo – e você nem sempre tem todo esse tempo!
Porém, muito mais importante que qualquer resultado ou medida, é o prazer embutido em cada sessão do seu treinamento. Os diferentes trabalhos que comparam pessoas fisicamente ativas e sedentárias mostram conclusivamente: independentemente da modalidade praticada, pessoas ativas têm mais qualidade de vida e vivem por mais tempo! Outro ponto importante: maiores resultados são atingidos quando você mantém sua rotina de exercícios por toda a vida, inclusive no envelhecimento!
Resta alguma dúvida de que a melhor atividade física é “aquela que você gosta”? Uma atividade que a prática lhe faça falta e você anseie diariamente pelo momento do seu início? Afinal, para um benefício pleno, você deverá praticá-la por muitas e muitas horas, no decorrer de toda a sua vida!
Em todo o caso, a escolha é sempre sua: render-se ao treinamento das estrelas ou escutar os desejos do seu coração. De um lado, as promessas infundadas de sucesso. Do outro, a sua paz interior. Atividade física por obrigação ou atividade física por prazer. O que vale mais a pena?
Forte Abraço a todos,
Irineu Loturco Filho

Irineu Loturco Filho é Diretor Técnico do Núcleo de Alto Rendimento Esportivo do Grupo Pão de Açúcar e Diretor Técnico da S2 Esportes.
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